#1 Análise de Poema Regional

Monte Roraima





TERRA DE MAKUNA’IMA

(Isabella Coutinho Costa. In: SESI RR. Criador & Criatura. Boa Vista, 1999)

I

Roraima,
És tu terra-dos Ventos
De campinas e buritizais,
Do lavrado e cavalos selvagens,
De planícies e do monte mais
Importante.
No tempo dos ancestrais
Ostentava em teu seio
Árvore frondosa,
Fonte e vida de Makuna’ima
Deus até onde se alargava o teu rio,
O monte, sua morada
O rio, sua estrada.
Makuna’ima, filho do eclipse
Reinava com justiça
E havia dito:
Quem da árvore
Fruto comesse
Deixaria ferido.

II

Houve dia,
Que o povo infiel
Desobedeceu o dito
E o fruto comeu.
Tomado de fúria
Incendiou florestas.
Seu reino
Em pedra transformou
E a fúria dos ventos
Árvore e vida de Makuna’ima
Derrubou.
Os galhos tomaram para o norte
Terra de diversas culturas
O tronco, partiu-se
Dividindo as riquezas
Em partes desiguais
E povos diferentes.

III

A terra de Makuna’ima
Divide o tronco e os ventos,
Porém a glória
É na história
Reino do grande deus,
Roraima,
Terra dos brancos dos rios
Dos verdes lavrados
Dos selvagens cavalos.
Para as tribos,
És a mais acolhedora
Para os corações que te visitam
Ah, os corações…
Estes são deixados
Nas águas dos teus rios.

—-

    A autora deste poema venceu um concurso do SESC em 1999, aonde teve publicado este e outro poema no livro Criador & Criatura, e hoje trabalha como servidora na instituição de ensino superior, Universidade Estadual de Roraima.

    Bem, tive a ideia de fazer um post voltado para a análise a partir de uma aula de Literatura Regional que tive logo no primeiro dia do meu 8° semestre. Enfim, para aqueles que desconheciam esse tipo de leitura sobre o mito de Makunaima, está é uma importante forma de conhecer outro tipo de trabalho desenvolvido a partir da história tão famosa na região Norte do Brasil.
    Para darmos início é importante frisar mais uma vez que, o tema deste poema é voltado para a história/ mito da Terra do monte Roraima, que sim, na escrita correta possui o ‘K’ na grafia e não o ‘C’. Outro ponto importante a se falar, é que muitos confundem Makunaima com “Macunaíma“, tanto na grafia como na pronuncia. Deixo aqui claro que: Macunaíma com o ‘i’ aberto ao falar e o ‘c’ é o autor Mário de Andrade, e o Makunaima com ‘k’ e falado sem nasalização, e com presença do som mais aberto no segundo ‘a’, aí estaremos falando do nome de origem indígena pertencente à terra que deu origem ao título do poema.

    Mas retomando a nossa análise, é possível perceber que o foco central do poema é a história da disputa de terras, contada de forma crítica, dando-nos um ar diferente daquilo que costumamos ver, aquelas historinhas mitos que ouvimos contar, sem fatos comprovados, e distorções nos detalhes. É claro que todo ponto dito no poema advém de uma base histórica que muitos cidadãos roraimenses conhecem, porém é colocada de forma que possamos criar possibilidades para o que de fato a autora estaria querendo expor.
    Na primeira estrofe temos o panorama histórico e mitológico, e ao finalzinho, nos últimos versos:
Quem da árvore
Fruto comesse
Deixaria ferido.
é possível fazer uma analógica bíblica com Adão e Eva.
   
   Na segunda estrofe, ao longo dos versos temos a transformação do hoje; a divisão territorial. ( É preciso salientar que para aqueles que não moram em Roraima, houve a divisão dos países, entre Brasil, Venezuela e Guiana Inglesa.) E em “Dividindo as riquezas/ Em partes desiguais/ E povos diferentes.” temos essa distribuição econômica, capitalismo, regime ditatorial; essa divisão de formas desiguais vemos através de que um país possui petróleo, ouro, e uma intenção qualidade para produção agrícola, são coisas distintas porém que falta em um, em outro. Coisas além de minerais, mas também de etnias e culturas.

   Na terceiro e última estrofe retoma-se à cultura de Roraima, aonde fala-se acerca da glória, e verdes lavrados e cavalos selvagens, o que é uma realidade hoje vista em nosso Estado. Assim sendo, como se fala das tribos que acolhem quem chega para conhecer e fazer parte do cotiano, temos também a história de quem bebe um pouco da água do Rio Branco, mesmo que vá embora para o sul do país, retorna um, duas vezes. Não há quem fuja, uma vez estando aqui, apreciando as belezas naturais desta terra.
Análise feita por Ana Fabyely Kams, estudante de letras/literatura da Universidade Estadual de Roraima.


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