[RESENHA] A questão da língua legítima na sociedade democrática





A QUESTÃO DA LÍNGUA LEGITIMA NA SOCIEDADE
DEMOCRÁTICA
Vivemos
em um país rico em diversidade linguística que precisa ser respeitada, porém
pela falta de reconhecimento desta diferença, este país é dividido em: um país
com semi língua e um país com língua própria.
Neste
sentido o país com língua própria, ou seja, que não está limitado a regras e ao
uso da norma culta padrão é constantemente alvo do preconceito linguístico
praticado pelas pessoas que vivem no país com semi língua e que fazem o uso
desta determinada norma.
Por
outro lado, o país com semi língua constantemente é prestigiado por fazer uso
da norma culta e tradicionalmente acusam as pessoas que pertencem ao país de
língua própria de serem incoerentes e desconexas.
Em
relação à lógica vigente de legitimação pela norma culta necessita ser
invertida, para que a ideia errônea de que determinados usos que um falante faz
da língua, ou determinadas formas que utiliza é que o legitimam como falante
competente daquela língua. O
único caminho para desmistificar esta ideia e gerar a igualdade deve ser
conquistado individualmente por cada falante por meio do letramento escolar.
Rever
a lógica vigente da polarização diglóssica
Fruto
dessa ideologia linguística é a inegável situação de polarização diglóssica que
vigora no senso comum. De um lado, temos a norma padrão, associada, como ficou
clara, à escrita mais monitorada, ocupando o polo positivo dessa diglossia. Do
outro, apresenta-se o português brasileiro de ponta, que reúne as
características gramáticas compartilhadas por todas as variedades do português do
Brasil, inclusive as sociolinguisticamente classificáveis de urbanas
e cultas. Essas regras gramaticais, no entanto, por não pertencerem à norma
padrão conservadora são consideradas “erradas” e rejeitadas por
aqueles que empregam elas diariamente e fartamente em seu uso da língua.
Rever
a partilha vigente entre afásicos e porta-vozes
“Analisando
o noticiário da imprensa sobre as campanhas de alfabetização governamentais,
observei que os gestores das políticas e os intelectuais são sempre chamados a
dar as suas opiniões sobre o programa, sua orientação pedagógica. Os
alfabetizados e os educandos, por sua vez, são chamados a dar suas opiniões não
sobre os mesmos aspectos, mas seu depoimento, sobre o quanto o programa fez bem
a suas vidas: são tratados, portanto, como produtos.” (Inês Signorini).
Diante
deste trecho, percebe-se a importância que não é dada ao educador que é, parte
principal do processo de ensino aprendizagem tratado apenas como um produto e
não como um agente transformador. Em
outro aspecto citado no texto pela autora, trata sobre os representantes rurais
eleitos pelo povo, que quando estão no poder apenas aprovam calados e 
permanecem sentados, quando enfim, obtêm nas mãos a chave do processo da
mudança não o fazem.
Para
a autora, porta-voz é aquele que dá voz aos que têm língua, mas não tem as
palavras certas, como é o caso de alguns governantes que não tem o dom da
oratória e apenas fazem um discurso que é lhe dado pronto.
Um
caso de um político bem sucedido e de identidade própria é o caso do
ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que apesar de ser analfabeto e
sindicalista, nunca se sujeitou a discursos prontos, mudança de sua postura e
dignidade, e seu modo de falar com o povo foi sempre de igual para igual e
acima de tudo sem renegar suas origens, como muitos fazem.
A
língua comum não existe homogeneidade nos usos da língua, mas sim igualdade de
condições dos falantes enquanto falantes interlocutores numa cena comum. A
legitimidade da língua em uso hoje no Brasil repensa a dimensão política
estratégica que essa questão adquire para a maioria da população no País.
Linguística
aplicada na África
DESCONSTRUINDO
A NOÇÃO DE “LÍNGUA”
Entendeu-se
por muito tempo que o problema na África seria o tribalismo, ou seja, a questão
das diversas comunidades difundidas no país, ocasionando numa crescente demanda
de tipos linguísticos. Coisa que há muito tempo vem decaindo, pois com a nova
ordem: o capitalismo, é deixado de lado questões básicas como a estruturação de
toda uma cultura. Assim sendo, conclui-se que muitas línguas não é problema, e
sim vantagem. E que “língua” é uma invenção, e linguagem é capacidade natural
do ser humano. A língua é uma intervenção social, envolvida no cotidiano para
facilitar o convívio e melhorando a comunicação entre os seres.
Contudo,
há os pressupostos recorrentes sobre a situação linguística na África. Temos o
conhecimento de que cristão, no período da colonização influenciaram na cultura
dos nativos, dispondo assim, novos meios para que houvesse comunicação e até
mesmo, alguma ligação entre ambos. Talvez essa fosse a ideia primária, antes
dos abusos de poderes, e das imposições de raças “superiores” a estes. O cristianismo
introduziu a noção de “salvação”, orientada para o futuro. Antes do
cristianismo, as concepções nativas de tempo eram indiferentes, onde não havia
referência sobre futuro, apenas sobre o passado e o presente. E ao usar
palavras velhas para expressar significados novos, o cristianismo garantia que
sua mensagem se espalhasse pela África. Após isso, é anunciado o envolvimento a
todas as formas possíveis a cultura dos nativos.

Resenha
feita por Ana Fabyely Kams


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