As duas unidades da comunicação discursiva: Oração e palavra

Mikhail Bakhtin

 

Mikhail Bakhtin dedicou a vida à definição de noções, conceitos e categorias de análise da linguagem com base em discursos cotidianos, artísticos, filosóficos, científicos e institucionais. Estudou Filosofia e Letras na Universidade de São Petersburgo, abordando em profundidade a formação em filosofia alemã. Seu trabalho é considerado influente na área da teoria literária, crítica literária, sociolinguística, análise do discurso e semiótica.

Este texto falará sobre a obra Os gêneros do Discurso, de Mikhail Bakhtin, que discorre a respeito do “Enunciado como unidade da comunicação discursiva. Diferença entre essas unidades e as unidades da língua.” onde divulga a língua como nada menos que a condição indispensável do pensamento para o homem “até mesmo na sua eterna solidão”, que está ligada a fórmula de Humboldt.

O enunciado citado e as duas unidades da língua são participantes da comunicação discursiva, onde se faz necessário o ponto de vista de um falante e consequentemente de outros participantes, pois, como vemos, a língua precisa apenas do falante – de um falante – e do objeto de sua fala. Neste caso a língua pode servir ainda como meio de comunicação, pois essa é a sua função secundária, que não afeta a sua essência. E os ‘outros participantes’ ditos anteriormente, são parte que executam o papel de ouvinte que apenas compreende passivamente o falante. Portanto, o enunciado assume o seu objetivo (o conteúdo do pensamento enunciado) com o próprio enunciador. Cada enunciado é um elo na corrente complexamente organizada de outros enunciados.

Desse modo, o ouvinte com sua compreensão passiva, que é presentado como parceiros do falante nos desenhos esquemáticos das linguísticas gerais, não correspondem ao participante real da comunicação discursiva. Aquilo que o esquema representa é apenas um momento abstrato do ato pleno e real da compreensão ativamente esponsiva, que gera a resposta (a que precisamente visa o falante). Essa indefinição terminológica e a confusão em um ponto metodológico central no pensamento linguístico são o resultado do desconhecimento da real unidade da comunicação discursiva – o enunciado, porque o discurso só pode existir de fato na forma de enunciações concretas de determinados falantes, sujeitos do discurso.

O discurso sempre está fundido em forma de enunciado pertencente a um determinado sujeito do discurso, e fora dessa forma não pode existir. E por mais diferentes que sejam as enunciações, elas possuem como unidades da comunicação discursiva peculiaridades estruturais comuns, e antes de tudo, limites absolutamente precisos. Esses limites estão presentes em cada enunciado da unidade discursiva e são definidos pela alternância dos sujeitos do discurso, ou melhor, pela alternância daqueles que falam. O falante quando termina seu enunciado passa a palavra ao outro ou até mesmo, dá lugar a sua compreensão ativamente responsiva. O enunciado não é uma unidade convencional, mas uma unidade real, precisamente delimitada da alternância dos sujeitos do discurso, a qual termina com a transmissão da palavra ao outro, por mais silencioso que seja o “dixi” percebido pelos ouvintes [ como sinal] de que o falante terminou.

As palavras se dividem em unidades fônicas mínimas – as sílabas. As sílabas se dividem em sons particulares da fala ou fonemas. Assim, com base no material do diálogo e das suas réplicas, é abordado o problema da oração como unidade da  língua em sua distinção em face do enunciado como unidade da comunicação discursiva. Essa oração assume novas qualidades e é percebida de modo inteiramente diverso de como é percebida a oração emoldurada por outras orações no contexto de um enunciado desse ou daquele falante. A oração é um pensamento relativamente acabado que se relaciona com outros pensamentos do mesmo falante no conjunto do seu enunciado; e ao término da sua oração, o falante faz uma pausa para que em seguida passar seu pensamento que irá dar continuidade para completar e fundamentar o primeiro pensamento. Por isso, o seu contexto esta presente na fala do mesmo sujeito do discurso (falante).

Em toda a obra vemos que a metodologia utilizada por Bakhtin é bastante expressiva e explicativa, que te leva a pensar em diferentes caminhos para entendê-lo, sendo que ao final chegará apenas a um resultado, a visão de tudo o que ele vem trabalhando no ramo linguístico. Possui uma linguagem sistematizada, um tanto complexa, porém coerente na objetividade. O valor adquirido com os pensamentos do autor é de muita valia para estudantes de qualquer área, levando-os há entendimentos que causam duvidas e confusão até mesmo em termos simples.  Salvo ressalvas para as afirmações obtidas de acordo com o que o autor cita, são precisamente relevantes para adentrarmos num campo extenso e complexo, útil para capacitar o acadêmico e estimular sua desenvoltura na compreensão do texto.



Rate this post
Compartilhe este post