Gêneros Textuais: Definição e Funcionalidade

 

Luiz Antônio Marcuschi possui doutorado em filosofia da linguagem (1976) e pós-doutorado em questões de oralidade e escrita (1987), ambos realizados na Alemanha. É professor titular em linguística do Departamento de Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Na UFPE, criou o Núcleo de Estudos Linguísticos da Fala e Escrita (NELFE). É pesquisador IA do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e foi, por várias vezes, representante de área tanto no CNPq quanto na CAPES. Foi um dos fundadores da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL) e seu presidente de 1988 a 1990. Tem várias publicações, muitas delas explorando temas pioneiros na área da linguística. É autor dos livros Análise da conversação; Da fala para a escrita: atividades de retextualização; Fenômenos da linguagem: reflexões semânticas e discursivas; Cognição, linguagem e práticas interracionais e autor nas seguintes obras (dentre outras): Conversas com linguistas; Gêneros textuais e ensino; Hipertexto e gêneros digitais.

No texto de Luiz Antônio Marcuschi, Gêneros textuais: definições e funcionalidade, podemos ver que ele já introduz o assunto determinando que toda essa ideia que temos de que gêneros são fenômenos históricos não passam de estórias contadas, visto a disseminação de tipos existentes e criados até mesmo pela própria sociedade. Pois esta grande fundamentação de inúmeras variações por assim dizer, se deu através do meio afetando assim, a estrutura dos textos para que se adequassem as necessidades de inovações tecnológicas.

O autor relata como se deu o surgimento dos gêneros através dos povos de cultura que se comunicavam apenas pela oralidade, e a partir disso, notou-se desenvolvimento havia chegado inclusive na forma de se comunicar, mais precisamente nos hábitos que os seres humanos tinham no ato da fala e da escrita, passaram a individualizar-se gradativamente. Estas etapas ocorreram de acordo com a dependência que o Homem tinha de focar num esclarecimento preciso, sem perder muito tempo para mínimos detalhes. Cada época possuiu um tipo de gênero distinto de outra era, é claro. Porém, vemos também que estas mudanças a cada passo que ocorriam, davam mais liberdade para novas modificações. Durante todo o texto, se destaca também a influência que novos meios de comunicação interferem na oralidade e na escrita das pessoas, tal qual observamos hoje em dia, a popularização de ‘redes sociais’ e canais onde a comunicação se dá com mais rapidez, tornam-se cada vez mais abrangente essa demanda de novos tipos de gêneros que surgem, e outros que, além disso, vem sofrendo a chamada ‘transmutação da linguagem’, onde tudo e todos ao redor também se modificam. Claro que há casos e casos, onde há àqueles que sabem distinguir a forma e o tempo de uso de determinada linguagem, onde melhor se adapte ao Todo que planeja permanecer. E falando de todas essas mudanças que ocorrem é, sobretudo o que fala o autor, esta junção dos vários tipos é o que se pode fazer uso para chamar atenção de quem lê, ou dar ênfase à determinada situação.

Sobre as definições de tipo e gênero textual é mostrado o conceito de cada uma, sendo aquela forma que designa toda a espécie de construção do texto, composto pelos tempos verbais, aspectos léxicos e sintáticos, mais conhecidos como: narração, argumentação, descrição, exposição. Por outro lado, o gênero seria a maneira como são empregados esses tipos de discurso na comunicação do dia a dia. O telefone, fax, artigo, chat, bula de remédio são exemplos de como os tipos textuais podem ser passados para a pessoa que irá ler, e dependendo o assunto abordado, há várias formas de ser retratado para melhor entendimento do leitor, e que esta forma será algo que contribuirá para distingui-la de tantas outras que existem.

De modo geral, Marcuschi explica detalhadamente essa diferenciação de tipo e gênero, fazendo inúmeras ressalvas sobre o porquê é importante a distinção entre elas, e mostrando também a confusão que as duas causam por desconhecer o conceito e o significado de cada uma. Entretanto, todo o assunto aborda o crescimento de gêneros e que isso trás certas características à linguagem que passam despercebidas por quem está de fora do campo da linguística. Por vezes nota-se o que é ensinado é o tipo de cada texto, como produzi-lo, mas os aspectos produzidos na fala que são trazidos desse meio em que a mídia ou a rede social está envolvida ficam taxados como errôneas no meio acadêmico, sendo desvalorizado como cultura da língua. Embora o texto demonstre profundo interesse em deixar o assunto algo para um estudado minuciosamente, muitos outros surgem com a intenção de apenas ignorar o contexto que está presente em cada falar popular a diversidade do gênero discursivo.

Referências:

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros Textuais: Definição e Funcionalidade: In DIONÍSIO, Ângela Paiva; MACHADO, Ana Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros Textuais & Ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.



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