NOVA PERSPECTIVA DE “O GUARANI”, POR MEIO DO LIVRO DE MOACYR SCLIAR

Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), no Bom Fim, bairro que até hoje reúne a comunidade judaica, é autor de inúmeras obras, contos, crônicas, livros infantis. Sua vida inteira foi dedicada à medicina e a literatura, além de ter lecionado em universidades fora do Brasil. Ocupou a cadeira de número 31 da Academia Brasileira de Letras.

Em Câmera na mão, o Guarani no coração, um grupo de jovens apaixonados por cinema participa de um concurso de vídeos amadores no qual devem filmar uma cena de O Guarani, de José de Alencar. Para isso, eles iniciam um estudo da obra que desconheciam de início e comparam com a atualidade, descobrindo assim uma paixão pelo clássico da literatura brasileira. É um tema que entra em contato com jovens leitores, abordando o contexto histórico e os valores da época retratada no livro, explicados em uma linguagem informal, resumindo de forma clara e que prenda a atenção de quem lê para o enredo da obra. Tendo em vista isso, o livro apresenta a reprodução dos trechos de O Guarani, de forma que o leitor possa ter elementos suficientes para entender a obra como e
principalmente, possa nascer um interesse pela leitura do livro de José de Alencar.

Na obra podemos encontrar uma temática que estará buscando a redescoberta dos clássicos da literatura brasileira, assim como a valorização do povo indígena. O enredo é voltado para o concurso onde um grupo de jovens se inscreve e concorrem ao prêmio com um vídeo amador de uma cena do livro de José de Alencar, para isso eles estudam e comparam a obra com a atualidade. Como personagens principais: Tato, que estará contando os acontecimentos de sua juventude que foi quando participaram desse concurso e também Rô, Aníbal, Pedro, que também fazem partem do grupo. Severo, que é o Senhor que é um grande admirador de José de Alencar e ajuda os meninos contribuindo com todo seu conhecimento sobre o livro; Cecília que é filha de Severo, que participa das gravações do grupo e Paulo ou “Cacique”, o Peri que eles tanto procuravam para contracenar na filmagem do
vídeo.

narrador presente na obra é caracterizado como confessional ou intimista, logo que, no início do texto é feito em primeira pessoa e o modo confessional é retratado pela fala de uma experiência sua. O tempo é tanto psicológico como interior, pois o personagem fala de uma época que ele já viveu, de algo que está dentro da sua consciência. Quanto ao espaço, está presente o espaço social que são as aparições dos personagens na cidade, na casa de Severo, no local onde se encontram com os amigos. E também o espaço natural, que é localizado na reserva, aonde eles chegam para uma filmagem e se deparam com um local habitado por índios e observam os aspectos daquela área.

Partindo da análise do livro de Moacy Scliar vemos que o autor quis unir o apreço de um clássico da literatura e inseri-lo ao mundo dos jovens, por ser uma leitura agradável e fácil de ler, qualquer pessoa pode se interessar em ler a obra de José de Alencar por completa. Como em O Guarani, neste livro vemos a presença do sentimento de simbolismo tomando liberdade de alcançar outras camadas, a realidade dos descendentes hoje em dia é algo que o autor buscou retratar para que seja mostrado esse preconceito ainda existente com relação às etnias.

De modo geral, o autor funde a ideia de trazer o clássico para a atualidade na intenção de atingir exclusivamente os jovens que pouco conhecem, tem acesso, ou se interessam por esse tipo de leitura, a trama é remete à trechos da obra, porém explorando discussões feitas entre os personagens sobre cenas importantes, de ação, romance, onde é mostrado a ideologia fazendo então uma conexão para o surgimento do empenho pela leitura. O fato de a história ser contada por um narrador jovem, possui uma linguagem que também contribui para o engrandecimento de pontos positivos que os leitores juvenis procuram.

A obra fornece uma vasta visão sobre o livro O Guarani, o enredo, personagens, explicando o porquê essa obra é a paixão de vários leitores mais experientes e principalmente o motivo de ser tão memorável e estar na lista dos clássicos da literatura indianista. Indicado para jovens que estejam no fundamental e médio, mas professores também devem ler, para que indiquem a alunos a fim de apresentar à eles uma perspectiva inovadora na hora de ler um livro publicado em 1857.

 



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