Homenagem ao Dia Internacional da Mulher: Caraterística de personagens femininos na Literatura

Março, como muitos sabem é o mês das mulheres, em virtude disso, o Desmazelas resolveu fazer um artigo voltado exclusivamente para nós, mulheres. É claro que vejo muita importância nesta data, logo que ao longo dos anos viemos enfrentando inúmeras batalhas para alcançar nosso lugar ao sol. No entanto, essa frase no século XXI já é algo evidenciado pelo nosso talento, e presença constante em diversas áreas que antes nunca ocupamos. Por isso, este artigo tem a intenção de mostrar  os personagens femininos literários e suas caraterísticas de forma que vejamos como os autores trabalham a feminilidade no campo da literatura.
Macabea – A hora da Estrela de Clarice Lispector
A personagem do livro apresenta uma indefesa visível, falta de conhecimento, não se achava possível ser detentora de direitos de ser como as outras pessoas, era assustada, tinha medo, recuava, mas era também sonhadora e ingenua. Na verdade, ela era confusa e busca uma vida melhor, teve um final trágico, logo que morreu atropelada, pensando que teria uma vida com alguém que a amasse. Esta é uma obra contemporânea aonde a autora apresenta relatos desde a vida de infância de Macabea até a sua idade adulta, aonde é possível o leitor compreender sua origem e os motivos por sua existência ser como é.
Fraülein – Amar, Verbo Intransitivo de Mário de Andrade
A governanta dos Sousa Costa chega a casa para cuidar do amadurecimento do primogênito da família, Carlinhos. Ao desenrolar da leitura vemos a verdadeira utilidade de Fraülein para os donos da casa que a contrataram. Ela uma alemã rígida, provida de altos conhecimentos quanto à autores alemães, e que está no Brasil sobrevivendo dos trabalhos para juntar dinheiro suficiente e assim voltar à sua terra e casar-se. Aparentemente uma mulher nem bonita, nem feia, mas com um jeito que faz com que Carlinhos, o menino se apegue a ela e desenvolva um amor platônico e ingênuo quanto as atitudes dos pais. O amor surge e Fraülein vai embora, pois como é descrito no livro, seu trabalho e o mundo é tal como é. E ela estava ali para ensiná-los a amar, todos os garotos que passaram por ela, agora eles estavam amando. Ela era mãe de amor.
Rita Baiana – O Cortiço de Aluísio Azevedo
Esta personagem vive numa habitação coletiva, se apaixona por Jerônimo, um moço branco e português que se muda para um dos quartos com sua mulher e filha, e ela visando o próprio bem, manipula nele um sentimento de luxúria fazendo-o tornar-se uma máquina que trabalha apenas para satisfazê-la, pagando-lhe tudo e abandonando sua família para viver esse amor. Rita Baiana é a representação da mulher brasileira, pelos traços sensuais, sua maneira de levar a vida, sua alegria para as rodas de pagode que promovia. No fim, apesar da sua intenção de levar uma vida melhor ao lado de Jerônimo, foram seus traços mulatos e de mulher brasileira que chamou a atenção de Jerônimo, fazendo com que ele trocasse sua mulher por Rita.
Bertoleza – O Cortiço de Aluísio de Azevedo
Bertoleza foi uma escrava, mas que fugiu e que mora com João Romão, o dono do Cortiço aonde todos moram. É uma quitandeira que leva sua vida para trabalhar para João Romão pois julga estar com ele, uma condição social acima das demais escravas. Não tem opinião própria, é calejada pela vida e pelo ‘marido’, mas não reclama. Busca se sobressair sobre as demais mulheres, por isso se permite ser tratada por João Romão com desprezo. E por sua vez, também não tem um final muito bonito, logo que acaba se esfaqueando ao descobrir a traição de João Romão por tê-la entregado ao médico que a herda como herança, usando a morte como única saída do retorno à vida de escrava.
Julieta – Romeo e Julieta de William Shakespeare
De fato, a personagem mais romantizada da lista, ela é doce, gentil, romântica, sonhadora que busca viver um amor avassalador, e quando o encontra, os desentendimentos com as famílias os coloca em uma situação terrível. O amor chega de repente e três dias depois estão os dois mortos. “Os homens morrem, mas não o amor.”. Uma das frases que está inclusa na obra de Shakespeare, aonde ele dá traços longínquos do que se era costume ver na literatura do século XVI.
Por fim, estas são algumas personagens que decidi citar aqui pois representam características fortes e marcantes da personalidade feminina, brasileira, estrangeira. Sabemos que nós mulheres pensamos igual aqui e em qualquer outra parte do mundo. O importante é que, tanto os traços físicos, da personalidade, a mente, os jeitos e trejeitos, a perspicácia, a moral de cada uma tem a ver com o que é ser mulher. Isso explicitamente contado por autores homens, Aluísio, Mário de Andrade, Shakespeare de uma forma aonde o reflexo feminino é ressaltado e podem ser trabalhadas também a problemática da interferência do meio para o interior de cada personagem, assim como vemos na obra de Clarice.
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