[RESUMO] Movimento Armorial no Brasil

Armorial
palavra sonora, que evoca brasões e emblemas; palavra misteriosa, que provoca
estranhamento e chama a atenção. Ariano Suassuna escolhe esse nome para batizar
um movimento cultural que nasce no Recife e lá se desenvolve nos anos de 1970
até se tornar um dos pólos da criação artística do Nordeste na
época.”. 
   
 Com isso, se torna visível que este movimento foi um concerto e uma
exposição de artes plásticas no qual marcaram a o escritor e homem do teatro,
inúmeros artistas, músicos, escritores e poetas, conhecidos ou não estavam
unidos numa mesma causa, firmando sua “nordestinidade” que figurava a
característica principal do Movimento Armorial, aonde ficou conhecido de
imediato como uma nova manifestação do chamado “espírito do Recife”.
   
 Contudo, a originalidade do Movimento Armorial e sua razão de ser
revelam-se em obras, encontros e intercâmbios entre artistas, o que leva Ariano
Suassuna a definir, nestes termos, a arte armorial:
A arte
Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o
espírito mágico dos folhetos do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de
Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus
“cantares”, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como o
espírito e  a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo
Romanceiro relacionados. (SUA/MOV, 1974, p.7)
A arte
armorial define-se, portanto, como fundadora da literatura popular do Nordeste
e assim, particularmente com o folheto de feira, na qual o artista possuía três
formas artísticas distintas: a poesia narrativa de seus versos, a xilogravura
de suas capas e a música (o canto) de suas estrofes.
1. POPULAR
   
 “Popular” é um termo que literalmente é repleto de definições. “O termo traz em si,
como herança, a complexidade da palavra povo, que designa, ao mesmo tempo, uma
multidão de pessoas…”
 (2009,
p.14). Assim, para qualificar as produções do povo e suas delimitações é
possível dizer que o popular designa de um conjunto cultural caracterizado com
condições de circulação ou de consumo. Muita referência podemos fazendo com os
trabalhos de cunho folclórico, sendo que estas pesquisas salvaram do
esquecimento grande números de produções, principalmente literárias, sem
distinguir com muita nitidez a produção do povo e o discurso sobre essa
produção.
2.
LITERATURA POPULAR
 
   
 É importante frisar também que essa literatura popular vai herdar a
imprecisão e vai confrontá-la com um termo fortemente marcado social e
culturalmente. O público vai participar dessa troca que está inclusa nos vários
campos literários sem deixar escapar à definição letrada. “No Brasil, a
emergência da expressão popular na cultura, e em particular na literatura,
corresponde, na mesma época, à busca de uma poesia nacional, de uma expressão
autenticamente brasileira.” (2009, p.17)
Inicia-se
então os temas regionais a tomarem seu valor no campo literário, assim como a
presença de personagem ou ideal poético, a obra e o poeta popular vão começar a
conquistar seu espaço.
O
“escritores do Norte”, esta onde que, em 1930, avançou contra a
literatura das capitais, bem penteada e purista, e em reação contra o próprio
modernismo, onde que se estendeu sobre todo o Brasil, com José Lins do Rego,
Jorge Amado e muitos outros representa, para vários críticos, a consagração dos
romances em versos cujo tema é a vida do sertão com seus heróis  seus
santos e seus mártires, fantasmas e crenças, risos e lágrimas. (Monteiro, 1972,
p. 74)
 
 O Movimento Armorial vai desempenhar um papel na cultura brasileira de
reunir poetas e gravadores, músicos e escritores, pintores e homens do teatro,
ceramistas e bailarinos num projeto cultural, num momento aonde no Brasil, a
originalidade da criação artística e sua singularidade eram consideradas
dogmas. O movimento como ação coletiva visou produzir uma transformação da
produção e da recepção da obra artística e literária, para poder cobrir uma
geração ou mais. 
 
 A exposição de artes plásticas aconteceu em 18 de outubro de 1970, aonde
um concerto era realizado na Igreja São Pedro dos Clérigos, no Recife, aonde a
orquestra que tocava obtinha o nome de Orquestra Armorial, tendo como diretor,
Ariano Suassuna, no texto do programa, e era quem revelava ao público a
existência do Movimento Armorial.
Referências:
 Santos, Idelette Muzzart Fonseca dos.
 Em demanda da poética popular:
Ariano Suassuna e o Movimento Armorial/
 Ildelette Muzzart Fonseca dos
Santos. – 2ª ed. rev. – Campinas, Sp: Editora da Unicamp, 2009.


(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Sobre a Autora

Rate this post
Compartilhe este post