Literatura de Cordel: Da origem portuguesa aos folhetos reproduzidos no Nordeste

A
literatura de cordel tem ligada à sua origem, raízes do romanceiro português. A
palavra cordel faz referência à corda, pois os Cordéis eram os barbantes
estendidos nas feiras da Idade Média, aonde os poetas escreviam seus poemas e
os penduravam para que assim fossem vistos, escolhidos e comprados pelos
ouvintes e fregueses.
Com
forte influência europeia, aonde se desenvolveu antes de chegar ao Brasil,
possuía em sua estrutura a presença dos cavaleiros medievais, princesas e
reinos grandiosos, aonde as situações vinham expressas em histórias que o
trovador ou menestrel se dispunham a cantar e contar para quem estivesse
passando; na maioria dos casos, a temática incluía aventuras, romances, lendas
de reis valentes que batalhavam com seus cavaleiros. E como as histórias
costumavam ser muito longas, eles passaram a conta-las em versos, assim as
rimas auxiliavam na versificação seguinte, chegando ao fim da história. Em contribuição,
recebiam do povo moedas e assim partiam satisfeitos em direção à outra cidade.
Por isso que a chamada literatura de folhetos, por ter nascido dos versos
recitados, advém da poesia de tradição oral, ou seja, da palavra cantada que
era transmitida de forma encantadora por meio das narrativas de histórias e
causos.
Sua
chegada ao Brasil iniciou-se lentamente, mas logo tomou fortes características
quanto ao cenário aonde se era produzido. Na época da colonização nos sertões
nordestinos, toda a precariedade, as más condições de vida, mazelas sofridas
pelo povo, distanciamento dos centros urbanos, o sentimento de apego a terra
sem frutos benéficos tornaram a nova temática abordada nos folhetos. Se antes,
reis, príncipes, cavaleiros, princesas e reinos eram o centro, em meados do
século XX, os vaqueiros, senhores, filhas dos senhores, o campo, a terra,
escassez de atenção aos filhos criados debaixo de um sol escaldante, virou o
novo foco desta literatura. Aonde os contadores não deixavam de espalhar
alegria e irreverência ao declamar seus versos aos ouvintes. Talvez esta seja
uma das formas de melhor interação entre eles e o público, uma forma em que
possam falar não apenas da dor, do sofrimento, do descaso e tristeza sofridos,
mas conseguir enxergar uma satisfação por poderem relatar suas tradições aos
demais, e tudo isso de forma bem humorada. Isso, sem esquecer de falar que as
estórias se tornam causos, aventuras de vaqueiros, o maravilhoso nas obras, o
humor,  o ciclo do cangaço, a
peregrinação, peleja e o fervor, acrescentando o cunho religioso fortemente
associado aos nordestinos nas obras.
Nesse
espaço de tempo, o homem nordestino vai absorver e sobrepor os europeus quanto
à rima, a criatividade na estrutura, a forma de ‘cantar’ a poesia. Ele vai
transformar a prosa em um discurso, utilizando então o efeito de contar algum
fato público que esteja presente na narrativa, algum efeito heroico, uma
novidade nunca antes vista, uma informação de interesse ao ouvinte. O que o
poeta quer? Ele visa impressionar a quem ouve, por isso, cria-se histórias
fictícias, fatos inimagináveis, peripécias mágicas, e tudo isso sem deixar de lado
a mensagem final, que geralmente produza no leitor e ouvinte, uma moral quanto
aos fatos ocorridos dentro da estória.
Devido
ao atraso na chegada da imprensa no Brasil, a Literatura de Cordel permitiu ao
público uma forma de ter conhecimento dos assuntos que permeavam aquelas
localidades. Como é conhecida explicitamente pela sua poesia oral não se prende
a forma escrita, e sim é estabelecida mais na oralidade, pois foi assim que
veio passando de geração a geração.
Sendo
assim, a poesia, está eternamente ligada à alma dos poetas, por isso vem sendo transmitida
até os tempos de hoje, e o continuará sendo, engrandecendo a cultura literária
e principalmente para relatar as manifestações que traz a literatura popular.

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