#Clássicos Do Cordel – 6ªed: “A Carta do Satanás a Roberto Carlos”

Bem,
estamos aqui com mais um artigo tratando da Literatura de Cordel, e como sabemos,
os folhetos tratam de histórias do cotidiano, causos, críticas sociais, mas
contam principalmente com um humor mágico que abrange toda e qualquer classe,
do mais humilde ao da alta classe. Com isso, temos aqui um folheto de Enéias
Tavares Santos, aonde ele vai trazer o Rei Roberto Carlos como personagem
principal. O curioso nessa história é que por meio da canção “Quero que vá
tudo pro inferno”, houve uma explosão de opiniões e questionamentos sobre
o título da música, e em virtude disso, Enéias tomou  essa história como
inspiração para criar um dos mais emblemáticos folhetos de cordel já produzidos
no Brasil: “A Carta do Satanás a Roberto Carlos”. E como podem acompanhar
a leitura abaixo, o enredo trata da simples atitude de Satanás ao reclamar a
Roberto Carlos dando-lhe uma carta explicando que o inferno estava cheio, e que
não daria conta de tanta gente, e sendo assim, ele, Roberto, teria que arranjar
um outro lugar para mandar aquela multidão.
O folheto é composto de várias estrofes, sendo a maioria sextilhas (6 versos), e para melhor compreensão é indicado que se conheça também a música, pois cada texto é baseado em outro discurso. Leiam e Divirtam-se!

Enéias Tavares Santos
Carta do Satanás a Roberto Carlos
Roberto Carlos cantando,
Esse seu disco moderno,
Aonde diz que alguém venha,
Aquecê-lo “neste inverno”,
E depois dele aquecido,
“Tudo o mais vá pro inferno”.

Há poucos dias, por isso,
Uma carta recebeu.
Que o Satanás lhe mandou,
Com medo do disco seu,
Vamos saber na missiva,
O que foi que ele escreveu:

-“Inferno, côrte das trevas,
Meu grande amigo Roberto,
Eu vi o seu novo disco
É muito bonito, é certo,
Mas cumprindo a sua ordem,
O mundo fica deserto.

Porque você está mandando
Todo o mundo para aqui,
Se esse povo vier todo,
O que é que fica aí ?
Será o maior deserto
Que eu fico vendo daqui.

Homem que bate em mulher
Tem para mais de um milhão,
Mais duzentos mil tarados,
(Entre rapaz e ancião),
Setecentos mil ladrões
Tem num pequeno galpão.

E quanto mais você canta
Ainda mais gente vem,
Só de moça depravada
Ontem chegou mil e cem,
Aqui já está de uma forma
Que não cabe mais ninguém.

Você diz que não suporta
Ela longe de você,
Eu que vou suportar
Tanta gente aqui, por que?
Que fique tudo lá mesmo
Cantando o seu ABC.

O sofrer aqui é tanto
Que estou de boca amarga
E breve o meu inferno
Faço uma porta tão larga
Que encho o mundo de diabos
Com a primeira descarga.

Aqui não tem mais lugar
Nem mesmo para um ateu,
O meu enorme fichário
Esta semana se encheu,
Os apêrtos deste inferno
Quem sabe mesmo sou eu.

(…)
De batedor de carteira,
Ninguém pode mais somar,
Ladrão de galinha é tanto
Que não se pode contar
É um por cima do outro
E eu sem jeito para dar…

Filhos desobedientes
Que não respeitam seus pais,
Vive tudo amontoado
Dando suspiros e ais,
Com todos os quartos cheios,
Não tem onde botar mais.

E soldados que na feira
Aborrecem o folheteiro
Querendo cobrar imposto,
Lá no porão derradeiro,
Tem tantos que já estão
Exalando até mau cheiro.

Moça que vai para a rua
À noite depois da janta
E volta de madrugada,
No inferno já tem tanta
Que se eu for dizer o número,
Muita gente aí se espanta!

Poeta plagiador,
Também já tem um bocado,
E também dono de venda
Que vende charque molhado,
Aqui dentro do inferno,
Vive tudo amontoado. 


(…)

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