O Processo de aquisição da Língua Portuguesa em crianças surdas

O
processo da aquisição da Língua Portuguesa é um bem necessário que atuará como
fonte de melhoria na comunicação desta com as pessoas/ouvintes que estão
logrados no ‘mundo exterior’, aquém do que aquela criança está, ou se descobre
como detentora dessa deficiência auditiva. Como sabemos, “os alunos surdos
precisam tornar-se leitores na língua de sinais para se tornarem leitores na
língua portuguesa.”, é por meio do desenvolvimento da linguagem de sinais que o
aprendizado da segunda língua será fundamentado.

Segundo
investigações realizadas em escolas bilíngues americanas, há dados que
comprovam o uso do movimento das mãos, do corpo, do espaço para sinalização,
expressões, utilização de feedbacks, algumas relações gramaticais, entre
outros, como fatores que influenciam o desenvolvimento linguístico e cognitivo
da criança. Isso seria uma das propostas para tornar lúdico aos olhos das
crianças, uma língua que para muitos apresenta um complexo sistema linguístico.
Dessa forma, explorando a capacidade criativa no ato da expressão/comunicação
por meio dos sinais, a criança estará alcançando um amadurecimento cognitivo
tão importante para aí sim, poder aprender uma segunda língua, pois já poderão
estabelecer relações e organizar seus pensamentos. Assim, as estórias e também
a literatura, seriam alguns dos meios mais indicados para que os aspectos citados
acima possam desenvolver na criança, um toque à acessibilidade e a sutileza no
ato de realizar os recursos que podem ser explorados.
Para
que a alfabetização aconteça, é necessário um aprofundamento nas técnicas do
professor de língua quanto aos recursos visuais, por isso que as estórias e a
literatura é um meio de procurar não apenas recuperar a produção literária
surda, mas também é algo que se tornará eficaz nesse processo de alfabetização.
Com isso, após a criança ter um domínio da língua de sinais, a escrita, ou o
sistema escrito, se torna outra forma evolutiva que acrescenta pontos na
alfabetização. Por esse motivo, ler sinais é algo fundamental que tal processo
se constitua. Assim, as atividades desenvolvidas pelo professor, exercitarão as
habilidades de inferência e irão ampliar a capacidade de vocabulário da
criança, pois ela estará processando a leitura e estabelecerá significados na
sua língua de sinais. Entretanto, é dito que é importante sim que a criança
saiba a escrita alfabética para que desenvolva de forma eficiente o português,
mas a melhor forma de trabalhar seria transformar este processo de acordo com a
sua língua materna, ou seja, por meio da língua de sinais.
Mas
é de conhecimento dos educadores no Brasil que o processo que ocorre é
totalmente contrário ao que seria o ideal, logo que as crianças são
alfabetizadas primeiro na língua portuguesa, sem ter as devidas noções ou
habilidades da língua de sinais. Com isso, visando diminuir tais impactos no
contexto, é sugerido que se invista na leitura da sua própria língua, pois tal
leitura dará subsídios linguísticos e cognitivos para ler o que estará escrito
em português. Temos o exemplo então, do não uso das nomenclaturas para orações
subordinadas, quanto a cobranças de saber o que é o que em uma frase
estruturada minuciosamente, mas elas precisam ter oportunidades de utilizar
essa sentença em frases ditas ao longo do dia, assim, terá melhor
aproveitamento do conhecimento gramatical da língua portuguesa.
Outro
processo que auxilia na aquisição da leitura e escrita em língua portuguesa é a
etapa onde se utiliza a metalinguagem, com ela os alunos refletem sobre a
língua, logo que os textos podem expressar sentidos diferentes em uma mesma
informação. Para ler e escrever em sinais e em português as crianças devem
ultrapassar a complexidade existente e evidenciar suas experiências de vida,
pois a comunicabilidade e gramaticidade são elementos necessários ao
desenvolvimento da leitura e escrita. Assim, a criança precisará reconhecer
certos níveis das interações comunicativas reais para transpor isso através da
escrita. Internalizando tais processos de interação entre o escrever e o ler, ela estará atribuindo verdadeiro significado à escrita. A
utilização do dicionário é uma boa ideia, pois estimulará o aluno a buscar o
significado de determinada palavra escrita em português, formulando assim ao
aluno uma leitura real, com significado, com registros verídicos determinantes
daquela nova língua que a criança estará aprendendo.
Por
isso, o aluno surdo ao ter textos feitos na língua de sinais, este objeto será
fonte que permeará o desenvolvimento do processo do ensino do português. Pois
este aluno tem percepções diferentes quanto ao que produziu e ao que os outros
veem produzido ali. Dessa forma, eles terão a oportunidade de lerem a si
próprios, fundamental o processo cognitivo que sustentará a aquisição da
leitura e escrita na língua portuguesa. Outro fato importante, é que os alunos
ao realizarem a leitura precisam estar contextualizados com o enredo da
história, pois assim terão condições para compreender o texto. O professor precisa
dizer ao aluno o que ele está lendo, e mostrar a ele – o aluno- uma ideia geral
ou específica do texto, e deverá fazer isso conversando na língua de sinais e
tratando/ trabalhando acerca da língua portuguesa.

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