A Prosa como manifestação popular

    A prosa é uma das manifestações populares que deu origem na oralidade. Possui relações entre aspectos oral e escrito. E por sua vez, engloba contos e lendas, e também o teatro. Há ditados e provérbios que podem ser feitos tanto em prosa como ritmados. Para quem não sabe, o teatro popular tem sua origem nos chamados autos medievais, e eram apresentados antes de/ ou após alguma cerimônia religiosa. Eram ligeiramente críticos e irreverentes, e assim, foram ao longo dos anos, passando a ser apresentados em feiras ou aglomerações humanas. Tendo como uma de suas grandes características, a participação do povo. A assistência era feita inteiramente no palco e tomavam parte nas peças com exclamações, refrões etc. Podemos imaginar como um teatro de arena moderna, aonde eram as peças eram levadas até as últimas consequências.

    No início da colonização portuguesa no Brasil, os jesuítas eram os responsáveis por inserir a sua cultura nos índios, e assim, utilizaram os autos com finalidade de conversão deles, e ao que sabemos, tiveram bastante sucesso. Hoje em dia temos alguns resquícios desse teatro popular com o “mamulengo” – teatro de fantoches no Nordeste – (estou preparando um artigo especialmente falando sobre o Mamulengo, esperem que ainda nesta semana estará aqui no site). E temos também o” bumba-meu-boi”, que é representado com muitas variações por todo o país.
    Agora voltando para as histórias e lendas, elas podem ser fatos ocorridos ou não, mas geralmente possuem finalidades educativas e de exemplo, que eram contadas de pai para filho ou, então, por pessoas idosas com habilidades para pequenos grupos. Tais relatos são importantíssimos, pois eram através dela que se conheciam a índole ou interesses  de uma determinada população. E o curioso nisso tudo é que, é justamente neles que aparecem certo preconceitos, mitos e até formas de crítica das pessoas que as contam e ouvem.  São famosos até hoje os contadores de histórias na Índia e nos países muçulmanos. Nos Estados Unidos ficaram famosas as “Histórias do Tio Remus”, uma espécie de “preto velho”. Na Alemanha, em meados do século passado, os irmãos Grimm, recolheram uma série de histórias populares que percorreram o mundo em forma de contos infantis. Todos nós conhecemos boa parte deles, como “A Bela Adormecida”, “Chapeuzinho Vermelho” e “Branca de Neve e os Sete Anões”.
    Existe uma característica peculiar às histórias e lendas populares: sua circulação é restrita e, quando elas são registradas e publicadas, sua tendência é desaparecer. Podem até ser criadas outras, mas aquelas que foram “reveladas” perdem o interesse das camadas populares. Essas lendas e contos populares passam geralmente a fazer parte de sistemas educativos oficiais – logicamente, tiram-se muitos elementos que consideram nocivos, cruéis ou simplesmente desnecessários à narrativa. Aliás, isso é o que sempre acontece quando se “oficializam” as coisas inerentes do povo.

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