RESENHA: O Voluntário (Contos Amazônicos – Inglês de Sousa)

Bom, preparei uma resenha do conto Voluntário que está inserido na
obra ‘Contos Amazônicos’ de Inglês
de Sousa. É importante saber que esta obra retrata bem as influências
regionais abordadas pelo autor de forma sócio-políticas. Sendo assim, irei
postar no Desmazelas, toda semana, resenha para cada conto que compõe este
livro, e ao final, colocarei o material para ser disponibilizar num e-book para
download. Este artigo trás então a primeira resenha, aguarde as próximas
semanas pela continuidade dos outros contos.


REGIONALIDADE
COMENTADA NO CONTO “VOLUNTÁRIO” DE INGLÊS DE SOUSA
O
conto Voluntário, de Inglês de Sousa
trata da realidade sofrida pelos tapuias,
índios que segundo é colocado pelo autor, habitavam a região Amazônica no
ano de 1985, quando iniciou o maior conflito internacional da América do Sul –
que foi a Guerra do Paraguai – onde o Brasil esteve juntamente com Argentina e
Uruguai lutando e “enviando”, ou no caso do termo utilizado pelo autor,
recrutando pessoas para lutar contra
os paraguaios.
Inglês
de Sousa utilizou um fato histórico para criar um enredo altamente realístico e
simbólico, sem esquecer as fortes influências regionalistas que permeiam o
conto. Nele, temos Pedro e Rosa, tapuias que conseguiram uma leve ascendência financeira
devido à sua produção de redes, com idade elevada já, tinha a ajuda de seu filho
Pedro, que era um jovem forte que estava sempre a ajudar os outros e
compartilhando o que pescava. Com a notícia de que seu filho tinha sido
recrutado, e após sofrer abusos violentos pelo Capitão, a mãe entrega a um jovem
advogado a quem ela tinha hospedado certa vez, toda a quantia que possuía,
totalizando duzentos e poucos mil réis. Este
advogado por sua vez, tenta conseguir um habeas
corpus
para soltar o rapaz, mas foi engano pela obediência do delegado às
camadas superiores. Assim, o rapaz foi enviado para o navio à noite quando
ninguém esperava. E a mãe, depois deste episódio, ficou tida como doida, e que continuou sendo vista por
muito tempo vagando pela cidade de Santarém abalada pela separação do filho,
cantarolando determinada quadra popular, onde resumia toda sua dor.
Por
fim, vemos que o autor expõe em seu conto todas as atrocidades sofridas para
que fossem encaminhadas pessoas para lutar numa guerra, os abusos realizados,
as ações desmedidas, e principalmente, a submissão e o controle que eram
estabelecidos aquele povo. Muito foi visto das características dos tapuias, a
forma como viviam, como produziam alimentos, objetos, e como moravam em
comunidade, sem esquecer a forte ligação familiar que também é citada ao longo
do texto. Este conto é apresentado quase como um documento sócio-político,
aonde é exposto um fato histórico, juntamente com esse embate do homem com a
sua própria natureza selvagem. 


Sobre a Autora

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