Literatura de Cordel e a equivalência do Oral e Escrito

  
 Pessoal, hoje fiz minha
primeira comunicação desde o 1° semestre que entrei na vida acadêmica. É, eu
sei que estou no 8° semestre, e é meio tardio, mas vamos lá, com exceção dessa
parte. Foi muito bom! E por isso, vim aqui compartilhar com vocês sobre o que
se tratava o meu trabalho.
   O título é: Literatura
de Cordel e a equivalência do Oral e Escrito: a poesia como manifestação
popular
   Ele faz parte do primeiro
capítulo da minha monografia. E como de costume, (vocês já devem ter notado)
faz referência ao Cordel.

(Acompanhem nos slides)
   O cordel chegou aqui no
Brasil junto com os colonizadores e eles se instalaram lá na Bahia, mais
precisamente em Salvador. Aos poucos, em 1763 começaram a surgir os primeiros
poetas populares que iam as feiras declamar e/ou cantar para as pessoas nas
feiras e praças públicas. Estes poetas não tinham a menor preocupação com a
métrica e a organização das estrofes. 
Tudo era compartilhado com as demais
pessoas de forma oral. E foi assim durante um longo tempo, por isso, as
histórias passaram pelo processo da tradição oral. Com isso, surgiram os
repentistas e o cordelistas.
  
Repentista é aquele poeta que cria seus
versos no improviso, que faz cantoria e até mesmo duelo.
Cordelista é o poeta de bancada, que
planeja suas histórias as vezes minuciosamente.
Os repentistas podem facilmente ser
cordelistas, porém nem todo cordelista pode ser incumbido do mesmo papel que o
repentista.
   No ato da declamação das histórias, são
desenvolvidas diversas vozes. E essas vozes traduziram a dramaticidade do
poeta, nela, o poeta transmitirá vida às narrativas ouvidas pelo público. Este
por sua vez, irá aceitar a verdade e beleza do texto dita pelo poeta, dessa
forma irá repassar o que ouviu com suas particulares para outra pessoa, assim
irá entrar na memória e consequentemente para a tradição oral. Quando o texto
oral é escrito / transcrito, a única opção do público (que agora é um leitor)
tem, é de aceitar ou não aceitar. Isso quer dizer que ele não tem mais o poder
de colocar sua particularidade ao repassar a outra pessoa, pois o texto escrito
é um texto fechado, ‘parado’, não apresenta a mesma condição que fornecia o
texto oral.
A IMPRENSA
   Johannes Gutenberg “reinventou” a imprensa
com a sua máquina tipográfica lá no século XV (na Europa). Esta máquina chegou
aqui no Brasil próximo do século XVIII, e era um instrumento de utilização
apenas da elite, ou seja, era distribuído apenas para a classe burguesa. No
Nordeste, que era onde se localizavam a maior parte dos poetas, não havia
imprensa até então. A tipografia foi descoberta e  foram produzidos as
primeiras ‘folhas volantes’ já em meados do século XIX – que é o que aponta a
maioria das pesquisas sobre dados de datas da Literatura de Cordel.
   O Cordel também é conhecido como
‘jornal do povo’ porque como nas regiões do Nordeste não havia tecnologias
distribuída para todos, os folhetos passaram a ser uma fonte de informação que
perdurou por muito tempo e alcançou uma visibilidade incrível em toda aquela região.
Tanto é que o folheto falando sobre o suicídio de Getúlio Vargas vendeu 70 mil
exemplares em 48 horas. E além disso, os populantes passaram a ter os folhetos
como um meio verídico, no qual podiam acreditar no que estava escrito, tanto é
que quando começaram a se falar sobre o Homem ter pisado na Lua, ninguém
acreditou. Só foram realmente crer nessa notícia, acreditar que era uma coisa
real quando viram um folheto impresso que falava sobre essa notícia em formato
de cordel.
   Entre 1960 e 1970 os folhetos que eram
pendurados em varal, expostos em feiras e vendidos por ambulantes passaram a
ser denominados Literatura de Cordel. O Cordel brasileiro continua a tradição
de ser um tipo de poesia popular com origem oral e que depois pode ser impressa
em folhetos rústicos.
PROCESSO DE TRANSIÇÃO PARA A ESCRITA
   O que aconteceu depois do auge do
Cordel impresso em tipografia foi que as vozes poéticas entraram em declínio.
Os folhetos continham aquelas histórias que eram contadas oralmente, mas agora
estavam expostos em bancadas, ou em livros exibidos em estantes. A criação da
imprensa e de editoras, ao longo dos tempos, apagou a existência de outras
formas de expressão. Não havia mais o contato do poeta com o seu público, o
ouvinte não podia mais repassar à sua maneira a história que ouviu. Deixou de ser
corrente aquela tradição oral repassada de boca em boca. Esta pode-se dizer que
foi um dos pontos negativos do processo de transição para a escrita.
  
   No entanto, há 3 motivos que explicam a
fixação dos folhetos de cordel no sistema produtivos de editoração.
  • A prática cantada pelos poetas já estava mais
    que amadurecida. Logo, era de se esperar que houvesse uma evolução, e ela
    se deu pela impressão dos folhetos;
  • A presença das máquinas tipográficas no
    Nordeste. – Se não houvessem máquinas tipográficas no Nordeste, não teria
    como haver impressão em massa;
  • O interesse dos poetas em fazer uso desta nova
    tecnologia de informação e comunicação.
   Os folhetos são a manifestação da
evolução da oralidade para a escritura. A poesia oral e a poesia escrita se entrecruzam
no campo estético, de modo que a segunda se apresenta como continuidade da
primeira. Mas no campo mercadológico elas se distanciam, pois o processo de
produção, circulação e comercialização são totalmente diferentes dos métodos
que eram utilizados pelos poetas quando faziam uso apenas da oralidade.
   Sabemos que em toda evolução há pontos
positivos e negativos. É exatamente isso que estou colocando aqui. Embora o
cordel tenha sofrido muitas perdas (de memória oral, de tradição) ao longo dos
tempos, com a editoração os folhetos começaram a circular por áreas que não
eram apenas aquelas próximas às comunidades fechadas, – o Cordel ganhou o
Brasil, o Mundo! – E isso foi um ponto muito favorável aos poetas e à sociedade
que passou a enxergar uma nova literatura com características totalmente
brasileiras.

Literatura de Cordel e a equivalência do Oral e Escrito: A poesia como manifestação popular from Fabyely Kams

Quem quiser fazer o download dos
slides, basta deixar um comentário para mim, que eu farei a disponibilização.
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