#INDICALIVROS – 7ª ed.: Orfãos do Eldorado (Milton Hatoum)


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Sinopse: 

Numa cidade à beira
do rio Amazonas, um passante vem procurar abrigo à sombra de um jatobá e,
incauto ou curioso, dispõe-se a ouvir um velho com fama de louco. É o que basta
para Arminto Cordovil começar a contar a história de ‘Órfãos do Eldorado’ – a
história de seu próprio amor desesperado por Dinaura, mas também a crônica de
uma família, de uma região e de toda uma época que, à base da seiva da
seringueira, quis encarnar os sonhos seculares de um Eldorado amazônico.

Este livro é do
escritor amazonense (de descendência libanesa) Milton Hatoum. Embora tenha apenas
quatro livros lançados, todos são muito bem premiados tanto no campo nacional,
como internacionalmente. E por ser um escritor contemporâneo, traz em suas
obras características que retratam temáticas sociais unidas ao psicologismo
humano, além de os finais não serem conclusivos da maneira ‘coerente’ que
muitos livros de outras escolas literárias.
O livro como diz na
sinopse, é narrado por Arminto, que é filho de Armando, o qual não possui
aquele amor de pai-filho. Ao longo da história é mostrado o porquê do pai
rejeitá-lo, e o filho não sentir emoção alguma ao ver o pai morrer em sua
frente. Quanto à narração, é preciso prestar muita atenção aos diálogos, senão
o leitor acaba se perdendo, pois não há acentos, tampouco travessão antes das
falas dos personagens.
Hatoum mostra um
cenário amazonense com personagens tapuias, igualmente utilizado no livro Contos Amazônicos de
Inglês de Sousa, (clique e veja), onde é retratada o índio como um ser inferior
que servia os senhores e não eram tratados de forma igualitária, por sua etnia.
Além de também muito se falar da época em que migrantes iam para o Amazonas
devido o ciclo da borracha, todo o processo de enriquecimento de coronéis e
senhores é posto na obra de Hatoum, acrescentando à história um enredo belissimamente
construído em torno do poder monetário na época e da forma humana ao se lidar
com isso.
Bom, não posso esquecer
de comentar que há muitíssimas lendas que o autor coloca, engrandecendo as
tradições características do povo amazônico. Eu vejo a colocação das lendas
amazônicas como um ponto a mais, e o qual traz grandes surpresas ao leitor.
Esta obra possui ações fantásticas, a inverossimilhança e atos humanos
psicológicos que retratam bem o contemporâneo.
O final como
comentei anteriormente, possui várias interpretações, assim, cabe ao leitor
construir um final para si. Eu por exemplo, quando li, preferi acreditar na
minha interpretação, mas ao comentar com uma colega, ela me disse que entendeu
de um jeito totalmente diferente. É o cômico nas obras contemporâneas, eu acho.
Mas diferente do livro A hora da estrela de Clarice Lispector (clique aqui e leia um artigo comentando), o livro de Hatoum,
dá ao leitor uma conclusão mais lógica, mesmo que nós mesmos tenhamos que
fazê-lo.
 Comentário Pessoal:

É isso, espero que
tenham gostado dessa indicação, eu não contei o que acontece no livro, porque
aí acho que perde a graça, certo? Ao indicar alguma coisa, temos que colocar os
principais pontos e fazer com que o público se interesse por eles e dê início a
leitura por conta própria, caso contrário, faria uma resenha. Quando meu
professor de Literatura Contemporânea no semestre passado apresentou esse livro
e pediu para que lêssemos, comecei a ler pensando que seria meio sem pé nem
cabeça, igual o livro da Clarice citado, e o Cego e o Dançarino, mas é tudo
questão de hábito, são leituras diferentes e talvez um pouco complicadas. Mas a
obra de Hatoum transcende toda e qualquer dificuldade, é muito bem escrito e
possui uma linguagem fácil que leva o leitor a perseguir as folhas no ato de
ler. É muito bom mesmo! Quem não leu ainda, não perca tempo!!
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Sobre a Autora

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