[RESENHA] ACAUÃ (Contos Amazônicos – Inglês de Sousa)



Acauã* é o 4° conto do
livro de Inglês de Sousa. Como foi dito anteriormente nas resenhas anteriores,
uma das coisas que esperamos encontrar são relatos místicos, repletos de
personagens folclóricos. E isso, com certeza é o que não falta neste conto.
Confesso que dentre os contos que já resenhei aqui para vocês, este foi o que
mais despertou receio diante das imagens que vem à cabeça quando imaginamos o
que lemos na descrição feita por Inglês. E para aquelas pessoas que tem medo
das lendas que envolvem Cobras, o grande spoiler
é que há uma forte presença nesse texto. Entretanto, vale muito a pena terminar
a leitura!
E para quem gostaria de ler as resenhas anteriores, é só clicar nos links abaixo:
  1. [Resenha] O Voluntário
  2. [RESENHA] A Feiticeira
  3. [RESENHA] Amor de Maria

*Palavra de origem tupi. O canto
dessa ave é considerado pela gente do povo como prenúncio de chuva e de mau
agouro. (N. do E.)


A história se passa em um
povoado do vale do Amazonas, mas conhecida como Faro. Nela temos o capitão
Jerônimo Ferreira que é o personagem que dá origem a todo o envolvimento com os
fatos místicos que ocorrem ao longo do conto. Tudo acontece porque ele resolveu
sair para caçar numa sexta-feira (isso já indicava prenúncio de má sorte) e
acaba se perdendo na mata. Após horas vagando, sofre com algumas visões, até
que ouve a voz de uma cobra grande, a colossal sucuriju* (ou sucuri). A voz
dessa cobra fez com que houvesse um estrondo e fazendo com que o capitão visse
um pássaro cantando: – Acauã, acauã! Ele perdeu os sentidos por um momento e após
acordar, viu-se próximo as águas do rio Nhamundá, onde encontrou uma criança
dormindo, a qual acabou acolhendo, levou para sua casa e a criou juntamente com
sua filha de 2 anos.
Com os passar dos anos,
as duas cresceram, no entanto, Aninha que era a filha do capitão começa a ficar
debilitada e então a população começa a gerar boatos de que ela esteja
enfeitiçada, pois ao lado de Vitória, a menina que o capitão achou numa canoa
no rio, expressa uma imagem de rigidez diante de Aninha. Com o desenrolar da
história, Aninha é pedida em casamento duas vezes, mas é impedida de aceitar,
pois, tudo leva a entender que Vitória detém uma força sobrenatural e não
permite que ela aceite tais pedidos. O que acaba acarretando num terrível
desastre quando o pai decidido a casar sua filha com o filho de um Ribeirinho.
Acontece um espetáculo de ações desumanas relatadas por Inglês, com detalhes
ricos expressando o que esses seres da floresta fazem quando são contrariados.

Enfim, até o momento,
para quem está acompanhando essa saga das Resenhas dos Contos Amazônicos, nenhuma até o momento apresentou um final que
não fosse dramático. Mas é isso mesmo, são contos ficcionais, mas quem garante
que não tenham acontecido de fato?! O legal é a gente imaginar toda a história,
os fatos, os lugares que são relatados nos contos e ficar com aquela pulguinha
da dúvida sobre o que nos foi repassado. Bom, agora, resta esperar para a
próxima resenha que sairá logo, logo. Aguardem!

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