[RESENHA] O NATURALISMO NA HISTÓRIA

O
Naturalismo antes de ser uma escola literária, é denominado
como manifestação artística. Pois, através dele é possível encontrar fatores:
político, social e econômico. As formas abordadas pelo naturalismo com relação
à arte buscavam tratar de
beleza, da relação da arte para com a sociedade e como ela era observada, além, da
mensagem que há por trás de cada obra.

Segundo
Harold Osborne, temos o naturalismo definido como um processo, aonde o artista
expõe as aparências reais das coisas, do que ele vê. Assim, ele passa a quem
visualiza admiração pela arte, pois,
ele estará buscando, criar uma imagem que se assemelhe à realidade do que se
representa. Por isso, surgem dentro dessa manifestação, algumas variações: O
realismo e o idealismo. Onde na primeira, temos o artista pintando o mundo
exatamente como ele é, sem alterações, não o deixando melhor, nem pior.
Absolutamente como ele – o artista – vê. E a segunda, em que à ideia do desejo
de como deveriam ser as coisas, dessa forma, ele não recusará aperfeiçoar e
melhorar o real. Isso é uma coisa vinda dos gregos, pois estes elaboraram a
teoria das proporções do corpo humano – um sentimento um tanto narcisista; de
contemplação ao corpo.

Houve
um período (séculos V e VI a.C.) em que a arte foi considerada imitação,
surgindo depois o termo ‘mímesis’.
Isso se deu por conta da produção de cópias da aparência visível das coisas.
Criaram-se técnicas específicas para tal motivação. Portanto, esse termo
prolongou-se durante algum tempo, tendo inclusive, algumas divergências sobre o
conceito de arte entre alguns filósofos, tal como: Platão e Aristóteles. Para
um, a arte “imitava” a natureza no
ato de criar, e era defendida como o que englobava todos os ofícios manuais,
mas também era entendida no sentido de representar.
Já para Aristóteles, a arte era advinda da intelectualidade, ou seja, o
reconhecimento de uma coisa representada através de uma imagem era
característico da arte, pois ela transpunha o real – o que pode ser visto,
tocado, sentido em imagem e o reconhecimento de tal situação, ato causava a
sensação de reconhecimento. Por isso, o prazer não vem apenas do reconhecimento
do significado, mas do reconhecimento da habilidade que o artista tinha em
demonstrá-la. Além destes nomes, temos ainda Tomás de Aquino que deu seguimento
ao pensamento Aristotélico e defendia que os aspectos da beleza representavam o
bem, e representavam a bondade. Na verdade, por Santo Tomás ter uma forte
ligação com a religiosidade, fica explícito o porquê de sua defesa empregar a
beleza como criação de Deus e sua vontade em recuperar o mundo sensível.

Porém,
com o Classicismo surge a estética normativa, que desprezava a criatividade e
individualidade artística. E em meados do século XVII apresentava influências
fortes do intelectualismo iluminista. Isso foi o ápice que levou à queda e
ruptura do naturalismo. (Sem esquecer é claro, da chegada dos impressionistas
no século XIX que utilizavam variações da luz e não aos objetos representados e
também do aparecimento da fotografia, que fixava as imagens de forma mais
rápida e mais econômica). Porém, é importante ressaltar que o academismo
sufocou a vida naturalista na arte, o que levou então a uma revolução estética,
que teve implantação na Inglaterra no século XVIII, aonde a importância era
dada ao estético e as obras de artes ficaram reféns dela para apreciação do
público.

Com
isso, a arte ganhou funções, que foram da finalidade pedagógica, religiosa, a
política e econômica. Cada uma delas fez parte de um momento da História que
foi contada em pinturas espalhadas pelo mundo, repassando mensagens,
esclarecendo pensamentos, emocionando fiéis e retratando melhorias de condições
com questões trabalhistas. A arte está envolvida não apenas com o estético, mas
com representações do real, do imaginário, do desejo, de criatividade do olhar
de cada artista. O seu significado é repassado mediante a informação que
perpetua toda a classe de pensamento, de visões, de vida de uma determinada
época. E assim como Teixeira Coelho Neto afirma, essa informação estética é
interpessoal, e estabelece um sistema de comunicação restrito e não pode ser
traduzida em outras linguagens, apenas naquela que foi estabelecida pela
artista. Além de essa mesma informação ser tangível de considerações finais, ou
seja, há uma variedade de interpretações e leituras que podem ser lidas a cada
observação, tendo sempre algo para acrescentar a cada momento de apreciação.

Por
fim, entende-se que o Naturalismo foi um movimento que esboçou o realismo às
demais pessoas, com uma pitada de idealismo, pois a humanidade está sempre
querendo acrescentar algo e melhorar alguma coisa. O realismo foi além do que
era visto, estava na atuação da sociedade, e no envolvimento da Igreja em
querer manter-se no poder. Obras que contam a História denotam a avaliação das
ações humanas retratadas em imagens estáticas com mensagens passadas que servem
para serem lidas no presente, com uma poeticidade que veio empregada da
habilidade de um artista que soube colocar a sua visão do que acontecia em
épocas na qual o Homem era escravo da religião, do feudo, e até mesmo das
regras impostas para classificação e valorização (apenas) do que é belo. A arte
foi o instrumento de ligação do homem com o mundo sensível, e consigo mesmo.


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