Cuica de Santo Amaro – Poeta Cordelista

O Cordel dispõe de uma lista imensa de
poetas que fizeram uma revolução na forma de expor notícias para pessoas que
mantinham uma comunicação mínima com a cidade.

Entre eles está Cuica de Santo Amaro –
José Gomes – era respeitado, e tinha um jeito irreverente, muito conhecido
pelos demais. Com seus óculos escuros, era uma figura importante em Salvador.
Quando criança, não completou os estudos, mas isso não o impediu  de escrever inúmeras obras, nas quais tinha liberdade de expressar sua crítica sobre assuntos
políticos os quais eram negligenciados pelas massas.

Antes de tornar-se um cordelista de renome, teve
dois empregos fixos, um numa tinturaria na Baixa de quintas e outro como
cobrador de bondes, depois disso passou a vender “miudezas”. Recebeu a alcunha
de Santo amaro não por ter nascido na cidade, e sim pelo fato do mesmo na sua juventude
viajar sempre a Santo Amaro, para tocar viola e fazer farra. Então devido a
isso e por ter uma relação muito sentimental com a cidade se auto denominou
Cuíca de Santo amaro, o Tal.

No site do filme, encontrei uma matéria
autoexplicativa do personagem. Leiam!
O poeta mais temido da Bahia
Trovador maldito da poesia popular do Brasil, personagem
controvertida, produz entre 1930 e 1963, cerca de mil títulos de livros de
histórias, nome que dá aos folhetos que só depois passaram a ser conhecidos na
Bahia como literatura de cordel.
Inspira Jorge Amado e Dias Gomes, que fazem de Cuíca personagem de
quatro romances e da peça de teatro que, reapresentada pelo cinema, leva
Anselmo Duarte a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, com o filme “O Pagador de
Promessa (1962)”. Na mesma época Cuíca de Santo Amaro faz a abertura do filme
“A Grande Feira” (1961), de Roberto Pires.
É o defensor do povo contra os marreteiros e também o diabo das
encruzilhadas, dos mercados e das feiras livres, das festas e das frestas,
personagem dos avessos e das margens, dos temas proibidos, picarescos,
obscenos, malditos. Neste figurino ele aparece em Pastores da Noite e A morte e
a morte de Quincas Berro
D’Água e na peça O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, adaptada para o
cinema por Anselmo Duarte.
Faz propaganda comercial em portas de lojas. É histrião e usa métodos
não convencionais para a coleta de notícias que usa na confecção de versos.
Encarna personagem desabusada, que escreve, publica e vende nas ruas
folhetos de protestos em plena II Guerra, reportando com humor a carestia da
vida, demonizando Hitler, Mussolini e Plínio Salgado, elogiando Getúlio Vargas
e Luís Carlos Prestes – apesar de posteriormente publicar folheto em favor da
candidatura do camisa-verde e demonizar Prestes. Muitas performances fez ao
lado de cartazes expostos nas ruas com frases e desenhos sobre os temas dos
folhetos, ilustrados pelo amigo Sinézio Alves.
Em 1945 Jorge Amado o anuncia como “O Trovador da Bahia”. Em
46, a fama de Cuíca estende-se para todo o país, através da publicação de
fotografias de Pierre Verger e de textos de Odorico Tavares e Jorge Amado na
revista O Cruzeiro.

Durante duas décadas Cuíca de Santo Amaro atenta contra o pudor e brada
contra a hipocrisia, revela em praça pública segredos de alcova e trapaças de
ricos marreteiros. “Comigo não tem bronca”, garante. É a versão popular do boca
de brasa, o Gregório de Mattos sem gramática. Poeta mais temido da Bahia é o
defensor do povo, a voz do escândalo; porém sua poesia e atuação, às vezes,
sabe também louvar poderosos, sobretudo quando se trata daquilo que chama de
“matéria paga”. É um herói e um anti-herói. O arauto. Anunciador. Anjo torto,
da boca torta, poeta livre. O maior comunicador que a Bahia já teve.
I
Era imenso o galinheiro

Estava mesmo lotado

Tudo de camisa verde

Era um quadro gozado 

Porém só tinha um galo 

Era o Plínio Salgado.
Porém o galinheiro

Muito tempo não durou 

Quando foi um belo dia

Getúlio Vargas cismou 

Agarrou logo o galinheiro

E o rabo logo cortou.
II
Nunca disse a ninguém

Que eu era Getulista

Nem também afirmei 

Que eu era Queremista

Todos sabem muito bem 

Que eu sou propagandista.
III
Nessa história interessante 

Você pode acreditar 

Conheci uma fulana 

Pois muito deu o que falar 

Pois a mesma só levava

A vida a jogar bilhar.
Ela pegou no taco 

Ele pegou na bola 

Ela se espichou 

Como se fosse mola 

Com o taco na mão 

Dizia, lá vai viola.
IV
Como não sou criança

Para ninguém me enganar

O livro anunciado

Que mandaram me aguentar

Por falta de palavra

Resolvi a publicar.

Esta minha atitude

Eu conto aos amigos meus

Um parente do monstro

Na certa se doeu

E uma certa noite

Lá em casa apareceu.
Sim, caro leitor

Chegou ele apavorado

E me disse, Seu Cuíca

Poupe o degenerado

Eu disse… cinco mil

Para não ser divulgado.
V
O Cuíca de Santo Amaro

Que de fato é o tal 

Abre o grande filme

Ao povo da capital 

Pois o mesmo é, leitores

Convidado especial.
De fraque e cartola

Parecendo um doutor

Cuíca de Santo Amaro 

Renomado trovador 

Faz sorrir a valer

Qualquer espectador.

Nos versos acima, podemos ver uma de suas características que era apresentar denúncias à corrupção contra políticos e poderosos. 

Enfim, será lançado um filme – documentário deste autor e personagem ilustre do Cordel, que deixou um legado imenso para a Literatura Popular. Aqui embaixo está o trailer!


Sobre a Autora

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