[SESSÃO CRÔNICA] Crônica de dias ermos para contemplação de lembranças

Foto: Fabyely Kams

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ao amanhecer de sábado estava um senhor passando pelos campos verdejantes.
Parou um minuto e reconheceu o local que antes era visitado em sua juventude.
Pensou se estava disposto para ir até lá. Decidiu partir, continuou caminhando
e não olhou para trás.

Dias
passaram e a grama crescia rapidamente. Estava um dia úmido, mas era possível
sentir o vento gelado invadindo a natureza do local. Era definitivamente um
lugar calmo, ermo, beirando ao sagrado. Aquele senhor tornou a passar adiante,
não conseguia deixar de olhar fixamente, quase perdido em suas memórias.
Minutos se passaram e ele continuava estático. O frio se aproximava e o
entardecer não demoraria. Caminhou mais uma vez e sumiu em meio a neblina que
surgia. Para os que se questionam: o que estava sempre na direção em que aquele
senhor olhava era onde costumava se encontrar com sua amada, no início do
romance. Ali viveram dias inesquecíveis, muitas tardes tranquilas. Era o
habitat construído e compartilhado, agora guardava a alma de quem um dia já o pertenceu.
Tudo ali remetia à ela, à eles. Nuvens e árvores eram cúmplices de todo amor
que o lugar guardou.

O
dia em que ele não passou e não pode parar para contemplar exaltando às
lembranças de uma vida, foi o esclarecimento de que se iniciava uma nova estreia.
Estrelas brilhavam…o sol irradiava, o vento refrescava e uma chuva tímida
inundava as lembranças daquele templo. De alguma maneira, a natureza acolhia a
união que se reencontrava, estabelecendo então o retorno do amor que aquele
jovem casal constituiu.

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