[Sessão Crônica] DE REPENTE

De
repente, sentiu que o amor não passou de uma ilusão. Que todos os desejos e
promessas foram meras coincidências totalitárias referentes a uma companhia
agradável no momento. Que o brilho nos olhos reluzia, mas não durariam para
sempre. Que as retomadas foram fracassos espelhados e reduzidos ao pó. Que a
ameaça do precipício que recorria nas veias após as brigas era que a dor no
estômago não deveria ser nada mais que isso. Que frio na barriga era uma
possível queda de pressão. Que a troca de olhares nada merecia destaque na
memória. Que caso não lembrasse a sensação após a primeira declaração, nada
disso faria sentido. Que o amor prometido esvaziou-se do peito. Que agora a
pessoa buscou tudo isso de novo noutro alguém. Que o vazio agora incomoda. Que
nada mais o detém. Que a vida virou um mar em tempestade. Que a dor aumenta
gradativamente. Que todas as situações provavelmente foram imaginárias. Que a
felicidade é real e ao mesmo tempo pode não ser. Que o tempo modifica tudo,
principalmente as vontades. Que nenhum amor é igual ao outro. Que as pessoas
são voláteis, inclusive na forma de expressar sentimento. Que o amor é algo que
acontece de repente: Chega, atormenta, envolve e vai embora, em algumas vezes, pode
até mesmo permanecer.


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